domingo, 18 de fevereiro de 2024

O sentido da vida


A vida só faz sentido se houver um objetivo (ou mais) no horizonte. 

Não tem de ser um objetivo sorridente e ambicioso… mas tem de ser algo que nos faça correr. 

Não é absolutamente necessário ter esperança num amanhã melhor, para se ser feliz. O objetivo tanto pode ser uma coisa ou uma ideia simples, como ser uma meta longínqua e difícil de obter. Pode ser meio-fantasia, algo de fantástico ou quase inatingível.

Ou mesmo uma ambição desmesurada.. Mas tem de haver algo na linha do horizonte, para que se mantenham de pé, aqueles que esperam algo mais do que simples sobrevivência.

A vida plana, mar azul e liso, sem infinito do mesmo tom de azul… igual, igual… monótono , rotina … não me faz correr. Não me dá o alento necessário para sair da cama. 

Tem de haver algo que nos mova, algo para lutar por… algo para amar estupidamente alguém. Sim, porque querer demasiado a alguém é um sentimento estupido … mas bom.

É o bom saber que alguém precisa da nossa generosidade.

É preciso um sentido de vida… um caminho vislumbrado pela frente que incentive a caminhada…. Que valha a pena. 

Só “ entretimento” pessoal, não é vida. Ocupar o tempo é fácil : vai-se ao café, à ginástica, arranja-se um hobby, junta-se a família (mais por obrigação do que por gosto), telefona-se a um amigo, etc… e o dia está feito , o tempo fica preenchido … mas o coração vazio.


domingo, 28 de janeiro de 2024

Férias

 


Este ano decidi que vou ter férias... minhas!
Não sei para onde vou (ou se fico), não sei se serão férias acompanhadas ou solitárias, como têm acontecido tantas vezes. No campo, na praia ou em casa. Alguma coisa será... mas serão minhas.

Uma coisa eu vou tentar fazer, com muita força: que não sejam INVERTIDAS como as férias do ano passado, tal como escrevi no post de agosto de 2023.

De abril a outubro passados, construí e desconstruí, numa base de programação ativa e feliz, um plano de férias. Programação que envolvia cedências e acertos de datas entre muitos, soluções partilhadas com alegria, decididas e acordadas a bem, com mapas desenhados, roteiros estudados e confirmados... 

Até houve hoteis marcados e desmarcados (um já não devolveu a reserva), mas os planos  que pareciam "firmes" e consensuais, foram paulatinamente falhando, os destinos caindo uns atrás de outros, invertida a marcha porque outras marchantes encontram melhores rumos.

Decididamente, não tenho jeito para agência de viagens. 

E quanto a companhias, as desilusões foram várias, as faltas de respeito (da própria familia), as diferenças  "culturais" desagradáveis... podem simplesmente resultar numa transmutação de dondoca em faxineira... Tão fácil! 

E as melhores das intenções viram chatices, férias que não programei, não desejei e não foram boas para ninguém. Tudo um frete. Um cabaz de fretes! Férias ou são boas ou é melhor desistir.

Este ano vou desistir de encantar os outros - aqueles de quem gosto - vou capacitar-me de que não sou capaz de lhes dar o prazer da minha maravilhosa companhia, num destino espampanante!

Não vou fazer absolutamente nada para inventar uma viagem entusiasmente e gratificante para esta Primavera/Verão, para mim e para quem eu gostava de ter próximo. O que tiver que acontecer, acontece.

Se alguém, me desafiar, eu vou...

Se não, fico na cama o dia todo... talvez saia à rua para ver o sol ou tomar um café e voltarei rapidadamente para casa, para esquecer... não pensar em férias, não lembrar que haverá gente na praia, no campo, a sorrir ao sol, a dar beijos ao luar... e ser feliz. Coisas, que por motivos a que sou alheia, me é vedado.

Mas uma coisa é certa, decidi mesmo que não vou passar metade do ano em ânsias, sempre sem saber que viagem vou fazer, que tempos, que destinos e que desejos alheios me saem em sorte.

Vou sentar-me e esperar que a vida passe... 

Talvez o tempo parado, de espera incógnita, me surpreenda e me leve na onda das pessoas humanas (que sorte!)... ou talvez não. 

Talvez eu seja apenas uma pessoa sub-humana.

Amigos dificilmente me querem para férias, sou má agente de viagens. Só tenho ideias triviais e não encontro lugares recônditos, espetaculares, originais, interessantes, simples, baratos, acolhedores e/ou com paisagens românticas...

Julgo que talvez fosse capaz de encontrar locais com graça, mas será que a minha companhia tornaria o mais belo destino num monte de m... , em algo de sensaborão?

O defeito só pode ser meu. Estou disposta a ir a qualquer sítio, desde que a companhia seja agradável e não seja empurrada para o lixo das ultimas opções - dos produtos não vendáveis da pior das agências...

Só peço aos céus que me conceda o dom da Inveja e o dom da Persuasão, para me vingar de quem faz melhor,  de quem saber organizar uma bela viagem de férias e consegue persuadir o/a parceira de que o melhor destino é aquele, de que melhor companhia de viagem é a sua e que sobrevoam em enlevo apaixonado e aventuroso a nuvem de um mundo de encanto único e original.

Um mundo de intimidade, ilusão e paz… em movimento.

Porque o melhor do mundo são as pessoas e logo a seguir as viagens, a busca e a descoberta do próprio mundo na sua diversidade. 


sábado, 27 de janeiro de 2024

Inverno - inferno

É Inverno, o vento transporta nuvens de angústia, relâmpagos de raiva, chuvas de lágrimas. É a natureza das coisas, culpa do anticiclone (não o dos Açores) mas aquele que habita dentro de tantos de nós. E chamamos de depressão a este vendaval de altas e baixas pressões.

Mais um Inverno, mais um período de inferno se avizinha. Um inverno de choro, tristeza, dúvidas e insônias … um Inverno-inferno que se prolongará pelo Verão. Adoçado, talvez, por uns brilhos de sol e muitas caixas de Lexotan.  

(Para quem não sabe são umas caixas de beijos que se vendem na farmácia).

Quando há sol, tudo parece melhorar, a gente engana-se (ou faz de conta), mente a si própria… e começa a pensar em viagens, fins de semana com quem mais gosta e outras pequenas alegrias. Que muitas vezes falham. 

Pensa-se em abraços queridos, em praias quentes, em noites escaldantes … em falhando, há Bromalex que também se vende em caixas na farmácia.

Não vale a pena ter Fé, porque a Esperança é falível e a Caridade um bem escasso. 

Não vale a pena acreditar nestes três pilares cristãos para encontrar um sentido para a vida ou um caminho para a felicidade.

É tudo uma nuvem de mentiras, conscientemente contadas para engano próprio. 

Contudo, agarramo-nos à Fé na salvação da alma, como se uma alma se pudesse lavar com Omo, cremos nos acontecimentos felizes que estão para vir, pensando que merecemos algo de bom - da sorte grande ao Euromilhões, do aumento de salário a uma casa nova - e tendemos a acreditar na bondade humana.  

Mantemos a Esperança nos dias de sol, que tomarão o lugar do Inverno-Inferno do nosso descontentamento. Se essas esperanças falharem, então, corajosamente iremos reformular a trajetória e substituir o fracasso por outra coisa: mais uma caixa de pastilhas rosa, um bebê nos braços, uma tela e tintas para pintar, uns amigos às vezes… 

Mas isso não é Verão a sério - é apenas uma névoa para esconder o Inverno-inferno que a velhice não arreda.

No Inverno, sente-se mais o frio das relações de afecto ou de amor, tudo se mostra mais cru, gelidamente real, ficamos mais próximo do tempo exterior… haverá maior semelhança entre o que sentimos e o que vemos, dentro e fora de nós. Tudo frio, deslaçado…

Um bloco de gelo é transparente, vê-se tudo, é real!

 O sol, de tão brilhante, obscurece o olhar e cega! 

Neste Inverno, cada vez mais próximo do frio final, a tristeza e a permanente insatisfação continuam latentes.

Fraco lenitivo é dar um pouco de amor, de afago ou de conforto a quem o aceita, crianças e carentes materiais. 

Tudo o resto é nada! Não havendo quem aceite uma dádiva de amor graciosa, não havendo retorno desse desejo, não existindo quem saiba ouvir, compreender, agasalhar com gosto, ou se preocupar com a felicidade alheia … nada mais importa.

Saúde, casa, família, dinheiro e alguns amigos, são fancaria. É preciso algo sólido, como o ouro! Todos merecemos mais! 

Só os bons sentimentos, a sua partilha, a cumplicidade e intimidade valem a pena. E dão sentido à vida. 

E o inverno ainda será mais inferno se não houver liberdade. Liberdade para não fazer nada, para manter a dignidade de não trabalhar em prol dos outros, de amar quem não nos ama,  de não ajudar quem precisa e merece … mas não apetece.

Liberdade de dormir o dia todo, ou só uma parte … sem horas… sem comida … e até liberdade de ir dormir e não acordar mais, se for essa a solução.

Não é boa solução, eu sei! Desaparecer da face da terra não incomodaria ninguém e alguns até ficariam contentes. Enquanto puder, ao menos assistirei, a rir, à desilusão daqueles que se riem de mim.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Velhice

 


A velhice é o lugar onde é proibido viver. É o fim! Um fim, onde ainda não se morreu fisicamente mas onde desapareceu o chão e onde tudo o que resta se esfumou, não existe, não acontece…como se essa pessoa nunca tivesse acontecido. Como se quem a conheceu e amou em novo, tivesse perdido a memória e tivesse arrumado o ex-jovem no baú das recordações perdidas. Mesmo que o “velho” ainda seja novo, passou de gente digna a repudiado… desaparecido.

Proibido de viver. 

Não há vida, para um velho renegado assim, ela é-nos negada na sua plenitude e apenas nos é permitido um simulacro de respiração, que a custo e com a benevolência social nos deixa sobreviver, ser infelizes e pairar por aqui. Aceitam-nos desde que sejamos uns seres silenciosos, mais ou menos saudáveis e pouco perturbadores da ordem universal.

Circulamos (com mais ou menos bengala) mas caladinhos e seguindo uma cartilha de direitos e de liberdades altamente restringida... 

A velhice é o lugar da indignidade, da falta de respeito dos outros por nós, da nossa invisibilidade por sermos inúteis aos olhos da sociedade e dos amigos/amantes, por sermos feios, porcos e maus. Mesmo tendo um coração de ouro e uma capacidade de amar luminosa.

Contudo, passamos inopinadamente de seres humanos a sub-humanos, sem perceber como aconteceu e sem que possamos fazer nada para mudar isso. 

A capacidade de afirmação de que não nos sentimos nem gostamos de ser velhos, é objeto de risota.

A velhice não está dentro de nós, se formos sãos física e mentalmente. Está no olhar dos outros, espelho indispensável à nossa sobrevivência.

Espelho esse que nos diz, todos os dias, que não temos o direito de ser felizes. Temos mesmo é que nos conformar com o que temos, aceitar o destino, deitar fora todas as conquistas de uma vida de esforço , trabalho e dedicação ao próximo, baixar os braços à vida e entender que a infelicidade viva é uma boa prenda, a única que merecemos. A única a que temos direito. 

A velhice pode acontecer em qualquer altura da idade adulta. Talvez as crianças e os jovens escapem… não por uma questão de terem menos idade mas porque a sua vivência cronológica - tão curta - as impede de saber o que isso significa de verdade, e assim as afasta da vivência de tal desidrato. E têm a ilusão da felicidade.

Mas quem tem mais conhecimento das curvas da vida, sabe que a velhice é o lugar terrível. 

Um lugar onde jamais se poderá sonhar com a felicidade!

Quem para lá é empurrado, por desamor, fatalidade, doença ou solidão , raramente sai. 

A saída mais comum é a depressão   que, com o tempo, vira demência.

Que mais não é que uma fuga para a frente. Ser maluco dá muito jeito, é um rótulo que dá descanso à família e à comunidade mais próxima. Porque se um jovem-velho ou um velho-jovem “pirar da moleirinha”ninguém se sente culpado. Dirão: a culpa é dele, velho palerma e chato, Não percebem que a tontice é raiva e o mau feitio é sinal da revolta interior, de quem quer muito amar e a quem lhe é negado o direito de ser gente de corpo e alma inteiros. 

É a raiva por lhe dizerem na cara que não presta - por o manifestam sem vergonha, nem cautela. É o asco que se sente quando lhe dizem com palavras e atos, que já não serve para receber um beijo ou um abraço. E fazem-no, sem pensar na dor causada, sem ver quanto magoa saber que se perdeu o sex-appeal e que, sem isso, o velho perdeu o seu lugar no mundo. Deixou de ser gente.

Cai no inferno, passa a ser um corpo em chamas de vida transmutada em morte, em chamas que ardem e ninguém apaga. Cumpre uma pena infernal sem ter praticado nenhum crime. 

E estranhamente ainda existem alguns que ardem noutro fogo, nas chamas doces da paixão, esses não se queimam, nem morrem… vivem um calor doce na mansidão de um fim de vida feliz. Felizes desses poucos, que podem  viver nesse oásis. 

Inferno rima com inverno. 

E ao entrar no Inverno da vida, percebo que depois não mais haverá Primavera. 

Velhice é o lugar onde moram as pessoas mal amadas, as que envelhecem porque ninguém as ama, porque se tornaram incapazes de transformar a energia vital dos afectos num lugar doce para viver e amar. 

Porque são injustamente apelidados de velhos, quando os seus amores - família, amigos, amantes, quem era importante nas suas vidas os classificou de estropiados sexuais. Aí caíram no poço da mais reles categoria humana, no fundo escuro da auto estima perdida, dos seres desprezíveis e desprezados. 

Um velho - assim mal tratado - é visto como se não tivesse corpo, nem sexo, nem desejos, nem necessidade de carinho, nem alma, nem afecto para dar e receber. 

Para os outros, é apenas um invólucro encarquilhado, handicapé da sua libido (ou da alheia), repudiado que nem leproso, contudo é um invólucro onde se escondem os desejos e a beleza de amor refinado e sábio, que a vida lhe deu e os outros lhe negaram.




quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Mar e terra



Sete vezes o mar vem e volta.
Em cada onda uma promessa , a esperança que galgue o
Infortúnio.
A esperança que galgue o areal assoreado da ribeira e com ele o peixe nosso de cada dia.
Que seja desta! Que seja desta que a onda desfaz a resistência da terra empedernida e fria. 
Que seja agora ao fim de mais sete voltas da terra ao sol. Que o mar atrevido e enfeitiçado pela lua cheia, nova e diferente porque plena de alegria, rebentando da paixão efusiva de quem está mais perto da terra e por isso especial . Que a superlua desses dias de pesca e afastamento feliz se amande atrevida pelo artesão acima e entre na ribeira choca, com toda a sua prenda. 
Que traga peixe e amor.
Que a onda fique suave e doce. Que venha calma após o luar faiscante de agosto, que venha meiga, em flor e me abrace… memória de velhos tempos. Tempos em que molhar os pés ou sofrer os salpicos de sal eram os beijos mais desejados… ou que me levavam à lua, lugar donde demorava a retornar à terra.
Agora basta a felicidade mansa de um rebolar entrelaçado na areia, um por de sol de fogo , um abraço ligeiro e deslacado, mas recebido com o calor de sempre…
É essa a felicidade e a sabedoria da velhice. É essa a solidez da amizade. Que nunca a perca, que eu saiba sempre tirar das circunstâncias da vida o que de belo resta para fazer o melhor do tempo que me resta.
Adormeço na mansidão de um toque quente, no sonho de um beijo sério…de fogo, de horizonte eterno. 

domingo, 20 de agosto de 2023

Invertidos

 


Se até os “invertidos” podem ser felizes, às vezes remando contra os ventos e as marés adversas deste mundo, eu também poderei ser feliz… apesar de, este ano, tudo me sair invertido. 

Estou mais ou menos de pernas para o ar ! Assim a modos que com a vida invertida, vestida com a roupa do avesso, as costuras à mostra , os buracos das bainhas a desfazerem-se, sem cuecas e sem ninguém para me as vestir ou despir, a cabeça tonta por virada ao contrário…porque isto de ter de fazer o pino todos os dias, magoa os neurônios.

E estraga o corpo, além da mente! Pior ainda é o mal que faz ao coração, à auto-estima, ao Eu mais Eu que cada um de nós tem o dever de preservar. 

Contudo, sei que a vida é mesmo assim - umas vezes corre direita , outra fica torta e vemos tudo invertido. 

Os amores viram desamores, as promessas de viagens são desfeitas, nos bailes não se dança, nos bares não se bebe, no fogo de artifício não há outra mão ou outros olhos que nos acompanhe o folgar e a magia da noite estrelada de cores. E quanto aos compromissos - que pareciam firme e solidariamente acordados -  afinal não o eram (eu é que percebi mal, coisa que acontece aos invertidos, não é de estranhar!). Aqueles que estão a direito, afinal estão ao contrário. Parece-me, a mim, sei lá! Eu é que vejo mal e como estou invertida, julgo que são os outros que estão tortos. 

Numa sociedade plural, em que todos, todos, todos têm direito à vida e à felicidade, eu Invertida me confesso, pelo direito à diferença. 

Um dia destes, vou sozinha para a porta da Assembleia da Republica, com um cartaz : sou Invertida, trocaram-me as voltas, mas quero ser feliz. Podem-me bater, que eu não choro. Podem tentar convencer-me que estou errada, mas sei que não estou.

Queria dar a volta e ficar direita e ser igual aos outros, mas se não puder ser, andarei assim de mãos no chão e pés no ar, descalça e nua, de corpo rasante pelo chão, de cabeça baixa, de alma baixíssima… até morrer , feliz pela coragem da diferença.

Feliz pela coragem de saber apanhar a pancada que os invertidos merecem. Afinal eu nem sou lésbica, nem LGBT. Sou apenas um pequeno ramo do grupo do + . Talvez nem sequer o LHBT+ tenha lugar para mim.

Porque as minhas reivindicações nem são nada de especial - apenas gostava que as legítimas expetativas de umas férias no campo, na estrada, no País real em boa companhia, se concretizassem.

Mas foram invertidas as minhas férias. O campo virou praia e as viagens não são para mim, terão melhor destino do que o meu.

Os acordos que eram firmes - bem mais do que simples promessas - foram uma fraude! Até eram programas bons e bem desenhados, pensava eu que com gosto e desvelo. 

Pensava! Mas falhei , falhei em toda a linha … porque afinal há quem pense melhor do que eu e tenha talentos imensos para tudo - desde abrir as pernas a fazer compotas, desde criar viagens de sonho, a saber nadar bem ou conduzir automóveis , Quem saiba inteligentemente oferecer bombons de chocolate em feitio de coração e serem bem aceites, ao contrário das minhas bolachas em coração, que eu estupidamente dei e foram rejeitadas no dia dos namorados.

A solução para inverter esta desconfortável posição de Invertida: A Bondade e a Aceitação da realidade (mesmo quando esta está virada ao contrário dos meus desejos) são a solução.

Porque escassos são os dias que me restam para viver e cada dia deve ser de alegria, não se pode desperdiçar. 

E só a minha felicidade me importa. Caguei para todos ( excepto um - o meu carrasco / síndrome de Estocolmo).

Da família não gosto, eles também não se importam com a minha felicidade e podem bem sobreviver sem o meu amor. Que se desembrulhem. Ajudo solidariamente do ponto de vista material, porque a isso me OBRIGA a lei do País , a moral e os bons costumes vigentes. Faço porque sim, mas não me podem obrigar a gostar! 


terça-feira, 15 de agosto de 2023

Mar


Gracias à lá vida … por este lindo dia de luz, correndo à beira mar de um Algarve de Inverno.

Correndo parada ao encontro de um entardecer de espera, gozando do prazer da espera, saboreando antecipadamente a vontade de te voltar a ver. Esperar era algo de que eu nem gostava, nem sabia fazer, na minha habitual pressa, na minha desmesurada ambição ou talvez na excessiva paixão, que coloco em tudo o que faço. É um novo mundo de espiritualidade e de realidade, que agora se abre. 

Talvez seja a sabedoria da velhice...

Sei que daqui para a frente só me restará a fantasia do prazer da espera, a imaginação do teu sorriso ao longe, à medida que te julgo a caminhar pela marginal ou junto ao mar e que nos iremos aproximando.

É bom manter a esperança que te verei sorrir ... com o coração, tens um sorriso luminoso quando estás em paz e te sentes livre. Nem sempre é com as mãos, com a pele ou com o corpo que se vê melhor.

E tu és lindo quando vens ter comigo em transparência. Tu és bom e querido nos dias em que chegas solto, em liberdade, sem a carga da amargura que tão bem disfarças de frieza ou de desinteresse. Gosto quando sorris com verdade e amizade, sem demasiado peso, sem segredos, mentiras ou omissões  (carga de julgo saber que também não  gostas).

Obrigada querido e novo amigo, és outro, por me fazeres sentir tão bem,  livre e feliz, assim. Bem entendido que o meu correr é a passo, talvez mesmo vá muito devagarinho, para melhor  sentir os grãos da areia e os salpicos do mar, correndo dentro de mim, com sensação de que estou a voar…

Estou à beira-mar de um dia maravilhoso em que se misturam o encoberto e o sol que desponta e aquece pouquinho. Com um rasgo de imaginação, pensamos na Primavera, e depois virá o calor do Verão, que aquecerá  as almas ( e os corpos de alguns sortudos). Talvez para mim não haja mais Verão. 

A mim, tudo se me aquece (virtualmente falando…) só por pensar que há um bem precioso que me faz correr…mesmo sentada preguiçosamente na cadeira de um hotel.

Praia da Rocha, Março de 2023

… depois de tempos difíceis… estava a tentar ressuscitar…